Sobre as relações germano-brasileiras

Os primeiros passos das relações germano-brasileiras tiveram origem ainda na época renascentista, quando os primeiros comerciantes e mercenários exploraram as então colônias espanholas e portuguesas. Os programas de colonização foram originados apenas após vários séculos, quando no final do século 15, espanhóis e portugueses dividiram a Terra incógnita (termo em latim usado na cartografia para definir as “terras desconhecidas”) em duas esferas de influência: África, Ásia e a parte das Américas que foi posteriormente incorporada ao território brasileiro. O Brasil foi concedido à Portugal, enquanto o restante da América do Sul ficou para os espanhóis. No ano de 1500, sob o comando de Pedro Álvares Cabral, a frota de expedição à Índia acabou desembarcando numa localidade que hoje faz parte do município de Porto Seguro na Bahia. A partir de então se buscou estabelecer postos de fornecimento para dar apoio à rota de comércio da Índia. Ademais, o pau-brasil chamou atenção dos portugueses para a nova colônia. Esta madeira fica vermelha como a cor da “brasa” da lenha no fogo, e se demonstrou ideal para o tingimento de tecidos, bem como extremamente adequada para construção naval. Após a descoberta de ouro e diamantes no estado de Minas Gerais no início do século 18, o Sudeste se tornou o novo centro da colônia e a partir de então, as inúmeras riquezas do Brasil passaram a ser massivamente transportadas por galeões portugueses ao Velho Mundo. Nesta época se abriu novamente o caminho para mercenários e conquistadores como Ulrich Schmidl, nascido em Straubing, e Philipp von Hutten, da Baixa Francônia, a se aventurarem na América. Von Hutten também assumiu diversas expedições para explorar o interior da Venezuela, onde a empresa comercial da família dos Welser, de Augsburg, fundou as primeiras colônias alemãs na América Latina: Nova-Augsburg (hoje, Coro) e Nova-Nürnberg (hoje, Maracaibo).

Somente a partir da época do Império Brasileiro, um número significativo de imigrantes europeus incomodados com a crise em seu continente começaram a povoar o Brasil. A devastação causada pelas guerras napoleônicas seguida posteriormente pelo fracasso da Revolução de Março de 1848 e, mais tarde, a Revolução Industrial geraram um cenário de fome e grandes mudança políticas. Estes acontecimentos fizeram com que dezenas de milhares de pessoas evitassem permanecer na Alemanha. Neste contexto, o Império Brasileiro ajudou a promover o movimento imigratório no início da década de 1820, exercendo uma influência decisiva no recrutamento sistemático de alemães e outros colonos europeus. Nessa época, a política do Império era dominada pelas oligarquias agrícolas, compostas principalmente por proprietários de plantações. Também pela imposição de sua dinastia política, o Brasil permanecia conectado ao Velho Mundo naquelas alturas. Assim, a princesa bávara Amelie de Leuchtenberg se casou com o imperador brasileiro Dom Pedro I. O fluxo da imigração alemã continuou ao longo dos anos, chegando ao auge por volta de 1900. Os colonos se tornaram fortemente ligados à agricultura e seu comércio. Estima-se que em 1905 haviam em São Paulo aproximadamente 300 empresas comerciais com um nome alemão. Evidência disto, é a fundação da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo que data desta época.

Os anos cinquenta e sessenta foram marcados pela forte industrialização do Brasil. O presidente Juscelino Kubitschek até hoje em dia permanece presente na memória coletiva dos brasileiros, em especial pelo seu lema de campanha “50 anos em 5”. Este se referia ao seu objetivo de fazer o Brasil ter um crescimento de 50 anos em termos de progresso, em apenas 5 anos de realizações. Nesta mesma época, a nova capital projetada em formato de um avião pelo arquiteto de origem alemã Oscar Niemeyer, foi instalada no centro geográfico do país. Nos anos seguintes as empresas alemãs estabeleceram-se especialmente na grande São Paulo. Atualmente, São Paulo, juntamente com sua região metropolitana, é a cidade com maior número de empresas alemãs no país, sendo encontradas cerca de 1200 empresas alemãs nesta região.

Ao lado do setor agrícola e industrial, o Brasil tem alcançado um papel cada vez mais importante no segmento educacional e universitário através de suas inúmeras universidades federais e estaduais. Com a Alemanha tem florescido uma cooperação científica onde se destacam, como exemplos da mesma, o Centro Brasileiro Baden-Württemberg da Universidade de Tübingen, o Centro Brasileiro da Universidade de Münster, o Centro Alemão de Ciência e Inovação – São Paulo (DWIH-SP) e o programa brasileiro de bolsas de estudo “Ciência sem Fronteiras”. A estas atividades pode ser entrelaçado o projeto AWARE da Universidade de Ciências Aplicadas de Ingolstadt (THI), cujo financiamento provem da linha de financiamento do DAAD intitulado “Parcerias Estratégicas e Redes Temáticas”. É a primeira vez que uma universidade de ciências aplicadas alemã foi contemplada com um financiamento público para a criação de infraestruturas sustentáveis entre a Alemanha e o Brasil.